Informação sobre raiva, causas, sintomas e tratamento da raiva, identificando seu diagnóstico e as formas de transmissão, abordando a raiva em diversos animais, como o cão e contribuindo com dicas para irradicação deste problema de saúde.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Tratamento da raiva

Em 2004, foi registrado nos Estados Unidos o primeiro relato de tratamento de raiva humana em paciente que não recebeu vacina ou soro antirrábico e evoluiu para cura. A descrição detalhada da terapêutica realizada nessa paciente encontra-se publicada no protocolo de Milwaukee. No Brasil, em 2008, foi confirmada raiva em um paciente do sexo masculino, de 15 anos, proveniente do município de Floresta, estado de Pernambuco. A investigação demonstrou que o menino foi mordido por um morcego hematófago. Após suspeita clínica, foi iniciado o protocolo de Milwaukee adaptado à realidade brasileira, resultando no primeiro registro de cura de raiva humana, no país. A evolução do paciente para cura abriu perspectivas para tratamento de uma doença que, até o momento, era considerada letal. Diante disso, a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e colaboradores elaboraram o protocolo de tratamento de raiva humana, que deve ser adotado frente a casos suspeitos da doença. Importante ressaltar que o tratamento deve ser aplicado o mais precoce possível; assim é imprescindível que, ao suspeitar de raiva humana, o caso seja notificado de imediato à vigilância epidemiológica municipal, estadual e federal, para que sejam providenciados os exames laboratoriais e medicamentos necessários à condução do caso. Esse protocolo consiste, basicamente, na indução de coma, uso de antivirais e reposição de enzimas, além da manutenção dos sinais vitais do paciente. Para maiores informações entrar em contato com o Grupo Técnico da Raiva, da Coordenação de Vigilância das Doenças Transmitidas por Vetores e Antropozoonoses, da SVS/MS. O paciente deve ser atendido na unidade hospitalar de saúde mais próxima, sendo evitada sua remoção. Quando imprescindível, ela tem que ser cuidadosamente planejada. Manter o enfermo em isolamento, em quarto com pouca luminosidade, evitar ruídos e formação de correntes de ar, proibir visitas e somente permitir a entrada de pessoal da equipe de atendimento. As equipes de enfermagem, higiene e limpeza devem estar devidamente capacitadas para lidar com o paciente e com o seu ambiente e usar equipamentos de proteção individual, bem como estarem préimunizados. Recomenda-se como tratamento de suporte: dieta por sonda nasogástrica e hidratação para manutenção do balanço hídrico e eletrolítico; na medida do possível, usar sonda vesical para reduzir a manipulação do paciente; controle da febre e vômito; betabloqueadores na vigência de hiperatividade simpática; uso de antiácidos, para prevenção de úlcera de estresse; realizar os procedimentos para aferição da pressão venosa central (PVC) e correção da volemia na vigência de choque; tratamento das arritmias cardíacas. Sedação de acordo com o quadro clínico, não devendo ser contínua.

Prevenção da raiva

A raiva é uma doença possível de ser previda após o reconhecimento da exposição ao vírus. A tomada de decisão em iniciar um tratamento profilático/preventivo pós-exposição à raiva depende do tipo de exposição, das espécies e do estado clínico. A mordida deve ser profundamente desinfectada. Ambas as imunizações/vacinações: (1) activa, com cultura de células do vírus da raiva e (2) passiva, com imunoglobulinas humanas da raiva devem ser dadas aos indivíduos anteriormente não imunizados. As vacinas creditadas nos EUA e Canadá incluem puras células embrionárias de pinto e células diplontes humanas. A vacinação em grande escala em animais é uma vacina baseada na combinação de glicoproteinas expressas pelo vírus da raiva. Esta vacina tem sido usada com sucesso na Bélgica, França, Alemanha e nos EUA na prevenção da raiva nos animais selvagens. Presentemente, a vacinação pré-exposição tem sido usada tanto em populações humanas como em populações não humanas, onde é juridicamente obrigatório a vacinação de animais domésticos.

Vacina da raiva Humana

Vacina de cultivo celular

São vacinas mais potentes, seguras e isentas de risco. Produzidas em cultura de células (diplóides humanas, células Vero, células de embrião de galinha, etc.), com cepas de vírus Pasteur (PV) ou Pittman-Moore (PM) inativados pela betapropiolactona, estas vacinas são apresentadas sob a forma liofilizada, acompanhadas de diluente; devem ser conservadas em geladeira, fora do congelador, na temperatura entre + 2º a + 8ºC, até o momento de sua aplicação, observando o prazo de validade do fabricante. A potência mínima destas vacinas é 2,5UI/dose.

Dose e via de aplicação

Via intramuscular – são apresentadas na dose 0,5ml e 1ml, dependendo do fabricante (verificar embalagem e/ou lote). A dose indicada pelo fabricante NÂO DEPENDE da idade ou do peso do paciente. A aplicação intramuscular deve ser profunda, na região do deltóide ou vasto lateral da coxa. Em crianças até 2 anos de idade, está indicado o vasto lateral da coxa.

Via intradérmica – a dose da via intradérmica é de 0,1ml. Deve ser aplicada em locais de drenagem linfática, geralmente nos braços, na inserção do músculo deltóide.

Contraindicação – a vacina não tem contraindicação (gravidez, mulheres lactantes, doença intercorrente ou outros tratamentos), devido à gravidade da doença que apresenta letalidade de aproximadamente 100%. Sempre que possível, recomenda-se a interrupção do tratamento com corticóides e/ou imunossupressores, ao iniciar o esquema de vacinação. Não sendo possível, tratar a pessoa como imunodeprimida.

Eventos adversos – as vacinas contra a raiva produzidas em meios de cultura são seguras. De acordo com os trabalhos publicados na literatura, causam poucos eventos adversos e, na quase totalidade dos casos, de pouca gravidade. No entanto, como qualquer imunobiológico, deve-se ficar atento a possíveis reações de maior gravidade, principalmente neurológicas ou de hipersensibilidade.

Diagnóstico da raiva

Em muitos casos de raiva, a forte suspeita clínica é fundamentada pelo estado clínico e pelos testes laboratoriais que são uma componente para confirmação do diagnóstico. A detecção de anticorpos neutralizantes anti-vírus da raiva no soro (sangue) e importante em pacientes não vacinados. No entanto, os anticorpos poderão não ser detectados na primeira semana da doença. O processo de detecção de antigénios do vírus da raiva é um teste rápido de diagnóstico que pode ser processado em amostras da pele recolhidas do pescoço, devido a possível presença de antigénios virais nos nervos adjacentes dos folículos do cabelo. O método referência para o diagnóstico da raiva é RTPCR (real time - prime chain reaction) de amostras da saliva, lágrimas, pele. Este mesmo teste é menos usual em amostras do fluido cerebral-espinhal. Após a morte, a observação de corpos “negri” e a confirmação absoluta de infecção pela raiva, mas somente encontrado em 20% dos casos.

Sintomas da raiva

A raiva é usualmente mal diagnosticada e por vezes tardiamente identificada em países em desenvolvimento devido ao facto dos médicos nao estarem familiarizados com a doença. Os sintomas predominantes são sintomas semelhantes a uma gripe, designadamente dores de cabeça, febre, ansiedade e agitação. Dores, dormência, comichão são os sintomas localizados na mordida permanecendo até ao sarar da ferida devido ao envolvimento das glândulas sensoriais.
Estão descritas duas formas de raiva: encefalite em cerca de 80% dos casos diagnosticados e paralisia nos restantes 20%. A raiva encefalite promove episódios de geral estado de alerta ou hiperexcitabilidade que podem ocorrer entre intervalos de lucidez, hipersalivação, arrepios, arritmia cardíaca e hiperfobia. A raiva paralítica é caracterizada por movimentos motores fracos, normalmente iniciados no local da mordida, com progressão para os quodipeses e conduz a paralesia facial bilateral. Pacientes com raiva paralítica tendem a sobreviver mais tempo do que os pacientes com raiva encefalítica. Nos cães ou em outros animais a raiva é caracterizada por três estados. O primeiro estado corresponde aos 1-3 dias pós-mordida e leva a alterações comportamentais. O segundo estado é designado por estado excitado, que dura mais 3-4 dias. Este estado também é chamado de estado raivoso devido a tendência do cão afectado se tornar hiperreactivo aquando estímulo externo e mordendo em qualquer situação. O terceiro estado é um estado paralítico e é causado por danos nos neurónios motores. Fraca coordenação é observada nos animais devido a paralesia traseira e a dificuldade em engolir, causada pela paralesia facial e dos músculos localizados na garganta.

Causas da raiva

A maior parte das infecções se instala através da introdução de saliva infectada nos músculos ou membranas mucosas. Após um período de replicação local, que pode ser metade do período de incubação, o vírus caminha centripetamente via nervos periféricos e medula espinhal até o cérebro. A duração do intervalo no qual o vírus permanece no local de inoculação justifica a infiltração de soro hiperimune na área. Usualmente o vírus caminha centrifugamente a partir do Sistema Nervoso Central e alcança as glândulas salivares através dos nervos das mesmas. É raro encontrar vírus na glândula salivar e não encontra-lo simultaneamente no cérebro.

Período de incubação e transmissibilidade da raiva

O período de incubação da raiva é bastante variável entre as diferentes espécies de mamíferos. No homem, em geral, vai de 2 a 10 semanas, em média 30 a 45 dias. Porém há relatos de poucos dias até vários anos. Esse período depende da natureza da exposição (extensão, profundidade, localização etc.), da quantidade de inóculo (carga viral) e da cepa do vírus rábico. O período em que o animal transmite a doença varia conforme a espécie, mas em todos eles, inclusive no homem, precede ao aparecimento dos sinais e sintomas, e perdura durante o quadro clínico até a morte. O contato com orgãos, vísceras, fluidos ou secreções mesmo após o óbito, pode transmitir a doença, pois o vírus continua viável. Esse período de transmissibilidade foi bastante estudado em cães e gatos, e inicia-se 2 a 4 dias antes dos sinais e sintomas, ocorrendo a morte em cerca de 5 dias, após instalado o quadro clínico. Daí existir a recomendação, com base científica, da observação animal, nas espécies canina e felina, ser feita durante 10 dias. A observação animal é apenas para cães e gatos, não devendo ser aplicada aos outros animais, pois não há comprovação científica sobre o período de transmissibilidade para outras espécies.

Distribução universal da raiva

No mundo são estimados 55.000 óbitos humanos por ano, transmitidos por cães, sendo 56% na Ásia e 44% na África; a maioria deles ocorre em áreas rurais. No Brasil, o principal animal que transmite a raiva ao homem é o cão. O morcego hematófago (vampiro) é um importante transmissor da raiva, pois pode infectar bovinos, eqüinos e morcegos de outras espécies. Todos estes animais podem transmitir a raiva para o homem. No Brasil, a raiva é endêmica, em grau diferenciado de acordo com a região geopolítica. No período de 1991 a 2007, foram notificados 1.271 casos de raiva humana, sendo os cães responsáveis por transmitir 75%, os morcegos por 12%, os felinos por 3%e os 10% restantes por outras espécies. Vale salientar que, nos anos de 2004 e 2005, o morcego foi o principal responsável pelos casos de raiva humana, com 86,5% dos casos nesses dois anos, passando pela primeira vez a superar os casos com transmissão canina, devido à ocorrência de surtos de raiva humana no Estado do Pará, na Região Norte, e no Estado do Maranhão, na Região Nordeste do País.

Modo de transmissão da raiva

A forma de transmissão da raiva mais comum é pela deposição da saliva, contendo vírus rábico, na pele ou na mucosa. O animal raivoso pode introduzir o vírus em animais saudáveis ou em seres humanos por mordedura, arranhadura ou lambedura de pele, com solução de continuidade ou de mucosa íntegra. Outras formas de transmissão são raras, como a inalação de vírus, ocorrida em pessoas que entraram em cavernas densamente povoadas por morcegos infectados ou acidentalmente em laboratório.
A transmissão inter-humana é possível pelo contato direto com o doente ou suas secreções. Há casos em que pessoas submetidas ao transplante de córnea faleceram de raiva, pois se desconhecia que era essa doença a “causa mortis” dos doadores.

Epidemiologia da raiva

Todas as espécies de animais de sangue quente são susceptíveis à infecção pelo vírus da raiva, embora haja diferenças em termos de susceptibilidade. Gambás e aves estão entre as espécies mais resistentes; canídeos silvestres e bovinos estão entre as espécies mais suscetíveis. Cães, gatos, cavalos, ovinos, caprinos, primatas humanóides e seres humanos são intermediários quanto à susceptibilidade à raiva. Os animais silvestres são os reservatórios primários para a raiva em muitas partes do mundo, mas os animais domésticos de estimação são a principal fonte de transmissão da raiva aos seres humanos. Quando a raiva está sobre controle, a ocorrência da raiva em seres humanos é reduzida a nível muito baixo.

Agente etiológico da raiva

O vírus rábico pertence à ordem Mononegavirales, família Rhabdoviridae e gênero Lyssavirus. Possui aspecto de um projétil e seu genoma é constituído por RNA. Apresenta dois antígenos principais: um de superfície, constituído por uma glicoproteína, responsável pela formação de anticorpos neutralizantes e adsorção vírus-célula, e outro interno, constituído por uma nucleoproteína, que é grupo específico.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Raiva

A raiva é uma antropozoonose transmitida ao homem pela inoculação do vírus da raiva presente na saliva e secreções do animal infectado, principalmente pela mordedura. Apresenta100% de letalidade alto custo na assistência preventiva às pessoas expostas ao risco de adoecer e morrer. Apesar da raiva ser conhecida desde a Antiguidade, continua sendo um problema de Saúde Pública nos países em desenvolvimento, principalmente devido à transmissão por cães e gatos, em área urbana, os quais mantém a cadeia de transmissão do animal doméstico para a pessoa humana.
O vírus da raiva é neurotrópico e sua ação no Sistema Nervoso Central causa quadro clínico característico de encefalomielite aguda, decorrente da sua replicação viral nos neurônios.
Per tence ao gênero Lys savi rus , da famí l ia Rhabdoviridae; possui a forma de projétil e seu genoma é constituído por RNA que está envolvido por duas capas de natureza lipídica. Apresenta dois antígenos principais, um de superfície, constituído por uma glicoproteína, responsável pela formação de anticorpos neutralizantes, e outro interno que é constituído por uma nucleoproteína que é grupo específico.
Apenas os mamíferos transmitem e adoecem pelo vírus da raiva. Como já referido, no ciclo urbano, as principais fontes de infecção são o cão e o gato. No Brasil, o morcego é o principal responsável pela manutenção da cadeia silvestre.
Outros reservatórios silvestres são: macaco, raposa, coiote, chacal, gato-do-mato, jaritataca, guaxinim e mangusto.

Animais de baixo risco para transmissão de raiva

Os seguintes roedores e lagomorfos (urbanos ou de criação) são considerados como de baixo risco para a transmissão da raiva:
  • ratazana de esgoto (Rattus norvegicus);
  • rato de telhado (Rattus rattus);
  • camundongo (Mus musculus);
  • cobaia ou porquinho-da-índia (Cavea porcellus);
  • hamster (Mesocricetus auratus); e
  • coelho (Oryetolagus cuniculus).

Prevenção de raiva através dos morcegos

Pouco se conhece ainda sobre a raiva nos morcegos. Sabe-se que há a forma furiosa com ou sem paralisia, e há a paralítica. Devemos suspeitar do morcego quando ele for encontrado em locais e horários não habituais de sua espécie. Para evitar agressão por morcegos, as casas podem ser teladas, bem como os locais onde os animais de criação repousam durante a noite. O uso de mosquiteiros e a iluminação artificial podem contribuir também.

Manifestação de raiva nos animais

A raiva pode se manifestar em cães e gatos da seguinte forma:
  • fase furiosa: tendência à agressão, excitação, alteração do latido ou miado (rouco), sialorréia (salivação abundante), dificuldade de deglutir (hidrofobia), convulsão, paralisia, coma e morte;
  • fase paralítica: fotofobia, paralisia progressiva do corpo, dificuldade de deglutição, sialorréia, coma e morte.

Medidas que deve tomar em caso de agressão de animais transmissores de raiva

No caso de sofrer de agressão de animais transmissores de raiva deve tomar algumas medidas, nomeadamente:
  • limpar o mais rápido possível o ferimento após a agressão, com água corrente abundante e sabão ou outro detergente, de forma cuidadosa, visando eliminar a sujidade sem agravar o ferimento. A limpeza deve ser repetida na Unidade de Saúde, independente do tempo transcorrido. Em seguida, aplicar no ferimento anti-sépticos que inativem o vírus da raiva (povidine, clorexidine, álcooliodado);
  • procurar imediatamente atendimento em unidade de saúde, onde será realizado exame físico completo, avaliado o ferimento e adotado medidas de prevenção de acordo com as normas do ministério da saúde em relação à vacina e/ou soro, utilizando a Ficha de Atendimento Anti-Rábico Humano;
  • a maneira como ocorreu o acidente pode fornecer informações importantes sobre o estado de saúde do animal, o qual deverá ser observado por 10 dias (cães e gatos). Não agredir nem mal tratar o animal. Alimentá-lo devidamente. É importante saber sobre a procedência do animal, ou seja, se vive em área onde existem casos de raiva ou não.
Todo caso suspeito de raiva humana ou animal deve ser imediatamente notificado às secretarias de saúde municipal e estadual. Desta forma, poderão ser adotadas medidas urgentes para a proteção da população em risco, através da vacinação de cães, gatos, gados e da população humana, bem como soro-vacinar a população humana quando necessário e recomendado.

Controle da raiva em animais de estimação (cão e gato)

Para o efetivo controle da raiva nessas espécies, são necessárias uma série de atividades:
Realizar vacinação contra a raiva animal - campanha pelo menos uma vez por ano em cada município;  Manter posto de vacinação fixo contra a raiva, para aplicação da segunda dose em primovacinados, vacinação de gatos etc;  Apreender animais soltos às ruas e aceitar os doados, mantendo-os adequadamente (alimentação, água, higiene etc.), vacinando-os contra a raiva, quando são resgatados ou adotados;  Promover a eutanásia por método ético, dos animais que não se enquadrarem nos casos anteriores, quando indicado;  Enviar material para diagnóstico laboratorial da raiva em quantidade e periodicidade adequadas, distribuídos geograficamente, para uma avaliação da circulação do vírus rábico;  Efetuar Investigação Epidemiológica nos casos positivos de raiva, encaminhando as pessoas expostas para profilaxia;  Realizar Bloqueio de Foco com ações de vacinação focal e apreensão de animais errantes, no prazo de 72 horas (também nos casos de raiva em morcegos não hematófagos);  Promover a observação de cães ou gatos agressores (pelo proprietário/responsável ou canil), durante 10 dias a partir da data do acidente;  Promover a integração entre as áreas de controle animal e profilaxia da raiva humana;  Estimular o desenvolvimento de Ações de Educação e Promoção da Saúde, preconizando a posse responsável.

Tratamento da raiva canina

Alguns autores, afirmam, que não há nenhum tratamento favorável frente à raiva. Contudo, segundo outro, há casos de cura de animais clinicamente doentes de raiva e de um homem em 1970. Porém, a cura nesses casos não pôde ser atribuída a nenhum tratamento específico. Dessa forma o autor recomenda que, conhecendo-se o perigo para outros animais e o homem, os animais que são diagnosticados com a doença deverão ser submetidos à eutanásia. E que apenas para os humanos as vacinas anti-rábicas são indicadas para tratamento, além da utilização de soro anti-rábico homólogo ou heterólogo.

Sintomas de Raiva Muda, Silenciosa ou Atípica canina

Nesta forma ocorrem sinais indefinidos da doença, o animal se isola e vem a óbito sem diagnóstico clínico. Contudo, alguns autores caracterizam a forma muda com o predomínio de sintomas paralíticos. Outros autores, relatam que há casos de evolução atípica, caracterizados por gastrenterite ou espasmos. Ressaltam ainda, que na atualidade, predominam as formas menos características de raiva. No entanto, outros afirmam que essa é a forma menos predominante de apresentação dos sinais clínicos.

Sintomas de Raiva Paralítica canina

O período prodrômico desta fase costuma ser de um a dois dias. Nesse período os animais não querem locomover-se, apresentam hiporexia à anorexia e parecem diminuir o consumo de água. Mantém-se parados ou deitados somente se locomovendo se estimulados.
Existem relatos de que nessa fase os animais procuram locais escuros, tem sinais breves ou inexistentes de agressividade e ocorre paralisia.
Essa forma pode se iniciar com mudança de hábitos e marcha anormal e após um a dois dias ocorre paralisia, iniciando-se pelos membros pélvicos ou mandíbula. Segundo alguns autores a possibilidade da ocorrência da paralisia dos MTs antes da ocorrência da paralisia nos membros pélvicos ou mandíbula é incomum, porém pode ocorrer paralisia mandibular como primeiro sinal. O animal apresenta latido bitonal, se ainda conseguir latir; não consegue se alimentar e nem beber devido à paralisia mandibular e lingual.

Sintomas da Raiva Furiosa canina

Raiva Furiosa ocorre um período prodrômico que dura cerca de dois dias. Nesse período, o animal apresenta-se inquieto, com discreta ou aparente mudança de hábitos. Não atende ao chamado do dono, esconde-se e apresenta hiporexia à anorexia. Após esse período o animal apresenta-se agressivo podendo atacar outros animais, o homem ou qualquer coisa que se movimente. Isso acontece, porque ocorre a infecção do sistema límbico que é responsável pelo comportamento. Além da agressividade, o animal começa a caçar moscas imaginárias (botes e mordidas no ar); apresentam latido bitonal ou uivam tristemente; apresentam hidrofobia e sialorréia, devido à paralisia do nervo faríngeorecorrente; podem apresentar “delírio ambulatório” ou caminham sem rumo sempre em frente, sem se distrair e sem olhar para os lados, porém se é interrompido agride. A deambulação progride por cerca de dois dias e, o animal, pode ou não voltar para casa.
Outros sinais clínicos desta fase, como intensificação da sensibilidade a estímulos luminosos, sonoros e aéreos; paralisia que se inicia nos membros pélvicos, impossibilitando uma marcha reta, e que evolui posteriormente para outros músculos.
Ocasionalmente pode ocorrer febre, e a paralisia é aguda, progressiva e flácida, podendo ocorrer comprometimento dos nervos lombares e sacrais ocasionando constipação, tenesmo, parafimose em machos e gotejamento de urina.
A morte ocorre por paralisia da musculatura respiratória e do diafragma, e ocasionalmente pode ocorrer morte súbita do animal. Os animais podem apresentar períodos de paralisia intercalados com os de agressividade. Além disso, nos dois a três primeiros dias podem parecer estar melhores, inclusive com o desaparecimento dos sintomas e depois voltam a ficar agressivos. Geralmente não defecam durante os três ou mais dias do período patente. Pode ocorrer estrabismo convergente ou divergente, ou de um olho só.

Sintomas da raiva canina

A sintomatologia clínica da raiva canina é didaticamente dividida em três formas: raiva furiosa, raiva paralítica e raiva muda, silenciosa ou atípica (CORRÊA e CORRÊA, 1992; REICHMANN, 2000; BATISTA, FRANCO e ROEHE, 2007). FENNER et al (1992) consideram haver apenas duas formas de manifestações clínicas, a furiosa e a silenciosa ou paralítica.

Raiva em cães

A raiva é uma doença infecciosa produzida por um vírus filtrável e geralmente transmitida pela mordedura de cães infetados. Ataca todas as espécies domésticas e o homem. Entre os animais, os cães e os bovinos são os mais sensíveis. Está difundida por vários países, com exceção da Austrália, Bélgica, Dinamarca, Grã-Bretanha, Havaí, Holanda, Irlanda, Noruega, Suécia e Suíça. O vírus pode ser encontrado nas lágrimas, úbere, testículos, rins, fígado, pulmão e em grande quantidade no encéfalo, saliva e glândulas salivares dos animais doentes. Na saliva pode ser encontrado dias antes de se manifestarem os primeiros sintomas da moléstia. Caminhando geralmente pelos nervos, o vírus atinge o sistema nervoso central e daí se espalha pelo resto do corpo. O tempo decorrido da mordida ate o aparecimento dos primeiros sintomas é denominado período de incubação, que na raiva do cão varia de 8 dias até um ano, mas comumente é de 15 a 60 dias.
A doença pode se manifestar de duas maneiras: furiosa e paralítica, também chamada muda. A primeira, o animal muda de hábitos, fica inquieto, triste, troca freqüentemente de lugar, o apetite muitas vezes é conservado, mas o animal lambe os móveis, come terra e até mesmo seus próprios excrementos.
Nessa forma é ainda comum a mudança do timbre da voz, o animal parece ter um osso na garganta e muitas vezes o seu proprietário coloca a mão dentro de sua boca para ver se consegue localizar o osso, correndo, desta maneira, o risco de se contaminar. O cão pode fugir de casa e sair pelas ruas mordendo pessoas e outros animais. Na fase final sobrevém a paralisia do maxilar inferior (queixo) com escoamento de saliva em filamento (baba) e paralisia dos membros posteriores (cadeiras) .
Na forma muda ou paralítica, o cão pode apresentar somente tristeza, falta de apetite e finalmente a paralisia e morte. Deve-se ressaltar que o cão raivoso pode atender seu dono até ao final de sua vida.
A raiva pode ser confundida com uma série de doenças e seu diagnóstico clínico não é muito fácil, principalmente, se apresentar sintomas atípicos.
Somente um exame clínico, auxiliado com informações detalhadas do animal, fornecidas pelo seu proprietário, e uma observação cuidadosa poderão esclarecer as dúvidas .
O diagnóstico de laboratório é o método mais seguro para confirmar a morte do animal pela raiva. Instalada a doença, o animal não apresentará melhora alguma ou a cura.
Assim sendo, a melhor maneira, mas não a única, de evitá-la é a vacinação bem feita de todos os caninos. Aqui alertamos os proprietários sobre a eficiente vacinação, pois, denúncias nos chegam às mãos pela mensagem do Presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (O Estado de São Paulo, 271 5173 - pág.38), que indivíduos inescrupulosos batem de porta em porta, aproveitando da boa fé da população, que conhece o perigo inexorável da raiva, inoculando água destilada, vacinas deteriorizadas e vencidas e, até mesmo, macerado de cérebro de boi colhido em matadouros. Para tais injeções, utilizam-se de seringas e agulhas não esterilizadas eficientemente e que servem como veiculadoras de outras moléstias além da raiva.
A população deve estar bem ciente do mal que tal fato representa para a saúde pública, pois os cães vacinados em tais circunstâncias não estarão imunizados contra a moléstia.

Índice de todos os artigos do Blog relativos a Raiva

Para se tornar mais fácil localizar os artigos deste blog relativos a tudo o que diz respeito a RAIVA, aqui fica um índice com todos os artigos:
  1. Raiva
  2. Agente etiológico da raiva
  3. Epidemiologia da raiva
  4. Modo de transmissão da raiva
  5. Distribução universal da raiva
  6. Período de incubação e transmissibilidade da raiva
  7. Causas da raiva
  8. Sintomas da raiva
  9. Diagnóstico da raiva
  10. Vacina da raiva Humana
  11. Prevenção da raiva
  12. Tratamento da raiva
  13. Raiva em cães
  14. Sintomas da raiva canina
  15. Sintomas da Raiva Furiosa canina
  16. Sintomas de Raiva Paralítica canina
  17. Sintomas de Raiva Muda, Silenciosa ou Atípica canina
  18. Tratamento da raiva canina
  19. Controle da raiva em animais de estimação (cão e gato)
  20. Medidas que deve tomar em caso de agressão de animais transmissores de raiva
  21. Manifestação de raiva nos animais
  22. Prevenção de raiva através dos morcegos
  23. Animais de baixo risco para transmissão de raiva

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